sábado, 6 de junho de 2020

O Que é a Trindade? O Que a Bíblia Diz Sobre a Santíssima Trindade?


Lição 03 - a santíssima trindade, um só deus em três pessoas



 
A Trindade é uma doutrina cristã que trata acerca da diversidade que há na unidade de Deus, nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A primeira coisa que deve ser considerada num estudo sobre o que é a Trindade, é saber que estamos diante de um grande mistério, ou seja, é impossível ao homem compreender e explicar a Trindade de forma plena.
Essa dificuldade se dá, sobretudo, pelo fato de que a doutrina da Santíssima Trindade se concentra no estudo do Ser de Deus e de sua atividade, e Deus é infinitamente maior do que nós, de modo que com todas as nossas limitações, apenas conhecemos sobre Ele o que Ele próprio decidiu nos revelar de forma plenamente suficiente, tanto através das Escrituras quanto através das obras da criação, onde podemos admirar seus atributos.
Todavia, por mais que seja complexa e misteriosa, a doutrina da Trindade é essencialmente acessível, no sentido de que seu conceito principal pode ser claramente percebido e assimilado, através do estudo da Palavra de Deus.
O significado de Trindade
O significado do termo Trindade, que vem do latim trinitas, procura transmitir um sentido de “três que é um”. Esse termo foi aplicado pela primeira vez por Tertuliano, um dos pais da Igreja Antiga, para se referir à natureza triuna de Deus revelada nas Escrituras.
A Trindade na História da Igreja
Desde muito cedo a Igreja precisou formular uma doutrina a cerca desse assunto, especialmente para se proteger de falsos ensinos que já desde a época apostólica procuravam se introduzir na comunidade cristã, os quais eram influenciados pelo gnosticismo, pelo platonismo e pelo próprio judaísmo.
De forma bastante resumida, podemos dizer que o ponto principal dessas heresias atacava a divindade de Cristo e a pessoalidade do Espírito Santo.
As heresias sobre a Trindade
As principais teorias heréticas com relação à Trindade são:
  • Modalismo: também chamado de Sabelianismo ou mesmo Monarquismo Modalista, essa teoria defende que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são manifestações históricas de uma única pessoa divina, ou seja, quando a Bíblia fala sobre o Pai, o Filho e o Espírito, ela estaria então apenas apontando as diferentes manifestações de Deus aos homens, sendo o Pai na criação, o Filho na redenção e o Espírito na regeneração.
  • Adocianismo: defende que Jesus não era divino, mas apenas alguém que recebeu um poder especial de Deus no momento de seu batismo, o que fez com que Ele fosse elevado a uma posição superior aos homens. Essa teoria também é chamada de Monarquismo Dinâmico.
  • Arianismo: defende que o Filho não é eterno, mas simplesmente um ser criado por Deus que serviu propriamente como um instrumento para a criação do mundo. O Arianismo surgiu no início do século 4 d.C. sob liderança de Ário, um presbítero da igreja de Alexandria, e foi fortemente combatido pelo importante teólogo Atanásio.
A Igreja rapidamente procurou combater a tais heresias. Na época foram convocados Concílios, onde vários teólogos se reuniram e formularam documentos que expressavam a declaração de fé da Igreja.
Assim, após ter sido utilizada por Tertuliano no final do século 2 d.C., a palavra Trindade passou a ser considerada de maneira mais formal na teologia cristã a partir do quarto século. Dentre esses Concílios, a Trindade foi especialmente debatida e afirmada no Concílio de Niceia em 325 d.C., e reafirmada no Concílio de Constantinopla em 381 d.C.
Estudiosos notáveis como Basílio de Cesaréia, Gregório de Naziano, Gregório de Nissa e Agostinho, também refletiram e escreveram sobre a Trindade, e mais de mil anos depois, igualmente os reformadores deram especial importância a ela, com destaque para João Calvino, que concentrou grande parte de seus escritos falando sobre a Trindade, especialmente com relação a Pessoa e a obra do Espírito Santo.
A Trindade na Bíblia
A palavra “Trindade” não pode ser encontrada originalmente na Bíblia, mas sua doutrina está presente nela de forma inegável, de ponta a ponta. Em harmonia com o caráter progressivo da revelação de Deus nas Escrituras, é no Novo Testamento onde encontramos de forma mais explicita as bases do dogma trinitariano, mas ainda no Antigo Testamento, especialmente sob a luz do Novo, é possível perceber a verdade acerca do Deus Triúno.
No primeiro capítulo de Gênesis, no relato da criação, já podemos encontrar os primeiros prenúncios acerca da Trindade. Nele, somos apresentados ao Deus que criou todas as coisas por meio da Palavra e do Espírito (Gênesis 1:3).
Aqui é interessante saber que a palavra hebraica Elohim que é um dos nomes de Deus no Antigo Testamento, está em sua forma plural, não no sentido de indicar três deuses, mas como sendo um plural de intensidade, algo característico do hebraico. Com isso, essa palavra, por si só, não pode ser utilizada como prova da Trindade, mas, de alguma forma, com base no contexto em que algumas vezes aparece, certamente ela aponta para a diversidade dentro da própria Divindade. Saiba mais sobre o significado de Elohim na Bíblia.
Isso é o que acontece em Gênesis, onde o texto bíblico explora ainda mais essa questão ao aplicar formais verbais no plural, como a conhecida expressão “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26), ou seja, no Antigo Testamento existe uma comunicação de Deus consigo mesmo (cf. Gênesis 3:22; 11:7).
Se esse versículo expõe de forma bastante enfática a pluralidade na natureza Divina, o versículo seguinte cuida de garantir que nenhuma ideia equivocada de supostos três deuses seja concebida, ao afirmar categoricamente: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27).
Quando comparamos esse texto com os primeiros versículos do Evangelho de João, entendemos que ele expressa de forma maravilhosa a obra do Pai, do Filho e do Espírito na criação de todas as coisas (João 1:1-3; cf. Colossenses 1:16,17).
Na época de Moisés, na conhecida Benção Sacerdotal registrada em Números 6:24-26, curiosamente encontramos a tríplice repetição do nome de Deus, traduzido como “Senhor”. Já no Novo Testamento, de forma similar, temos o também conhecido texto do apóstolo Paulo que ficou denominado como Benção Apostólica, onde claramente as três Pessoas da Trindade são distinguidas (2 Coríntios 13:13).
Outras importantes provas que apontam para a Trindade no Antigo Testamento são as aparições de Deus e as manifestações do Anjo do Senhor. No Antigo Testamento, lemos sobre várias aparições de Deus (Gênesis 18:1; Êxodo 33:18-23), mas ao mesmo tempo também encontramos na Bíblia a clara afirmação de que nunca ninguém viu a Deus (1 João 4:12). A explicação para essa aparente contradição encontra-se na pessoa do Filho, conforme lemos: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido” (João 1:18).
Portanto, seguramente podemos afirmar que mesmo no Antigo Testamento o Filho revela a Divindade. Isso fica claro ao compararmos dois textos em especial: Isaías 6:1-5 e João 12:37-41. No primeiro, o profeta Isaías afirma que viu o Senhor, enquanto que no segundo, o apóstolo João escreve dizendo que a rejeição no ministério de Jesus cumpria a profecia de Isaías, sendo que este profetizou porque viu a glória de Jesus e falou sobre Ele.
Já com relação ao Anjo do Senhor, o que se sabe é que não se trata de um anjo como os demais, pois ele se identifica como sendo o Senhor, e ao mesmo tempo se distingue do próprio Senhor. Além de exibir o nome divino, esse Anjo, que no original geralmente é referido com o título Mal’akh Yahweh, ostenta poder e dignidade comum apenas a Deus, aceitando e exigindo adoração. Quando de fato o contexto aponta para um tipo de Teofania, normalmente se entende ser Ele uma manifestação da Segunda Pessoa da Trindade, o Filho.
Então da mesma forma com que o Filho pode ser percebido no Antigo Testamento, o Espírito também pode, sendo atribuída a Ele significativa importância na obra do Messias prometido (Isaías 11:2; 42:1; 61:10) e na preparação de seu povo (Joel 2:28; Isaías 32:15; Ezequiel 36:26,27).
Com relação ao Novo Testamento, a evidencia da Trindade é bastante explicita e abundante. No anúncio sobre o nascimento de Jesus feito a Maria, a ação do Deus Triúno fica evidente (Lucas 1:35).
O exemplo mais claro encontra-se no batismo de Jesus, quando o Espírito de Deus desceu sobre Ele como uma pomba, e uma voz do céu disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3:16,17).
Na própria pregação de João Batista é possível notar uma referência a Trindade Divina, pois ele falava sobre a importância do arrependimento para com Deus e anunciava a vinda do Messias que tem poder para batizar com o Espírito Santo.
Já na fórmula batismal, o próprio Jesus declarou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19). Perceba que a palavra “nome” permanece no singular, ou seja, há um único nome, porque os três são um único Deus.
Também durante seu ministério, Jesus falou do Pai, orou ao Pai, deixou claro que não eram a mesma pessoa, mas ao mesmo tempo afirmou que eram Um (Mateus 5:16; 7:21; 11:25; 16:27; João 10:17-38), e também deu testemunho direto sobre o ofício do Espírito Santo (João 15 e 16). Entenda melhor o significa da expressão “Eu e o Pai somos Um”.

Deus é um ou três? Como entender a Santíssima Trindade?
A Bíblia é muito clara ao afirmar que Deus é um, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo (cf. Êxodo 20:3; Deuteronômio 4:35; Isaías 45:14; 46:9; 1 Coríntios 8:4-6; Efésios 4:3-6; etc.). O versículo mais conhecido sobre esse ponto, e que com o tempo se tornou a declaração de fé dos judeus, o Shemá, diz: “Ouve, Israel, o Senhor teu Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 4:6).
Mas ao mesmo tempo, conforme vimos aqui, a Bíblia também revela que esse único Deus subsiste em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, igualmente eternas e divinas (Mateus 3:16,17; 9:4; 28:18; Marcos 2:1-12; João 1:1-3; 3:5-8; 5:27; 10:30; Atos 5:3,4; 1 Coríntios 2:10; 6:19; 2 Coríntios 13:14; Colossenses 1:17; etc.).
As pessoas gostam de procurar algum exemplo que explique a Trindade, porém isso é impossível, visto que não há nada que conheçamos que pode, ao menos, se assemelhar ao conceito do Deus Triúno conforme ensinado nas Escrituras. Portanto, a grande maioria desses exemplos mais prejudica o entendimento acerca da Santíssima Trindade do que ajuda.
A melhor coisa é simplesmente nos conformarmos que a pluralidade e a unidade não são contraditórias no Ser do único Deus, mesmo que isso pareça não fazer sentido a nós. Assim, a melhor definição é dizer que a Trindade significa que Deus é um Ser que subsiste em três pessoas, sem deixar de ser um, ou seja, há diversidade na unidade, há três pessoas em um único Deus.
Apesar de serem três pessoas distintas, não se tratam de três indivíduos separados, pois elas compartilham a mesma natureza, ou seja, são da mesma essência ou substância divina, e assim são igualmente Deus, possuem os mesmos atributos e a mesma vontade. Portanto, entendemos que o Ser de Deus não está dividido em três partes, ao contrário, Ele é uma só essência em três pessoas, e é por isso que Pai, Filho e Espírito são plenamente e perfeitamente Deus. Sobre isso, o próprio Jesus declarou: “Eu e o Pai somos um”.
Existe hierarquia na Trindade?
Para respondermos essa pergunta corretamente precisamos fazer uma distinção entre Trindade Ontológica e Trindade Econômica. A Trindade Ontológica fala acerca da Trindade em essência, e nesse sentido não há qualquer hierarquia ou subordinação.
Às vezes a expressão “1ª, 2ª e 3ª Pessoa da Trindade”, nos leva a falsa interpretação de que existe algum tipo de hierarquia, mas na verdade ela se refere ao fato de que o Pai origina, isto é, o Filho é eternamente gerado do Pai, e o Espírito procede eternamente do Pai e do Filho. Também é preciso entender que quando se diz “gerado” ou “procede”, não significa “criado”, ou seja, não há um único momento em que o Filho não existiu, ou mesmo que o Espírito esteve ausente.
O Pai sempre foi Pai, o Filho sempre foi o Filho do Pai, e o Espírito sempre foi procedente do Pai e do Filho (Miqueias 5:2; João 5:6; 15:26). Agostinho foi muito feliz em dizer: “O Pai é apenas o Pai do Filho, e o Filho apenas o Filho do Pai; o Espírito, entretanto, é o Espírito tanto do Pai como do Filho, unindo-os em um vínculo de amor”.
Isso significa que o Pai, o Filho e o Espírito são igualmente Deus, possuem o mesmo poder, a mesma majestade e devem ser adorados de igual forma. Biblicamente, cada pessoa da Trindade procura a honra da outra, simplesmente porque, na verdade, são um único e verdadeiro Deus.
Já a Trindade Econômica trata acerca da forma com que o Deus Triúno age em relação à Criação e à Redenção. Por exemplo, o Pai cria, através do Filho, pela agência do Espírito Santo. Assim, com relação à economia da obra da salvação, existe uma organização, e nessa organização, e somente nela, isto é, apenas no aspecto econômico, existe uma subordinação, pois o Pai envia o Filho, e o Pai e o Filho enviam o Espírito Santo. É nesse sentido, com relação ao que envolve o plano de salvação, que Jesus declarou ser menor que o Pai (João 14:28), e depois o apóstolo Paulo escreveu dizendo que Deus é o cabeça de Cristo (1 Coríntios 11:3).
Portanto, ainda com relação à salvação, é correto dizer que o Pai planejou a salvação e elegeu os santos, o Filho trouxe a redenção executando o plano salvífico, e o Espírito Santo confirma essa obra regenerando, capacitando e santificando o pecador. Em sua primeira carta, o apóstolo Pedro falou de forma muita clara e simples sobre isso (1 Pedro 1:2).
Para concluir, por mais que não possamos explicar completamente o que é a Trindade, certamente podemos compreender que só há um único Deus que subsiste em três pessoas, e que esse Deus Triúno, por sua infinita graça, de forma soberana, agiu em favor da nossa salvação.

Triquetra


Significado de Triquetra - Dicionário de Símbolos

Triquetra, por vezes chamada de triqueta, é um símbolo celta formado por três arcos interligados.
Esse símbolo pagão foi adotado pelos cristãos com o significado de trindade e eternidade. Isso porque a composição das suas formas geométricas faz com que ela se assemelhe a três peixes.
No Cristianismo, o peixe é representado justamente pela transposição de arcos.
A palavra peixe em grego, Ichthys, é um ideograma que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. Por esse motivo, ele foi usado como um símbolo secreto pelos primeiros cristãos numa tentativa de se proteger das perseguições.
Assim, assumiu o papel de representar um dos principais dogmas do Cristianismo, a Santíssima Trindade, mistério que admite que há três pessoas em um só Deus (Pai, Filho e Espírito Santo).
Esse símbolo é muitas vezes confundido com o triskle, símbolo celta que evoca a deusa tripla.
Também pode ser tratado de forma equivocada como o valknut, principal símbolo nórdico que representa Odin.

Tatuagem
A imagem da triquetra é uma tatuagem popular entre homens e mulheres.
Entre o gênero feminino, a predileção recai para os símbolos menores, visíveis no pulso e na nuca.
O motivo para escolher esse símbolo para tattoo resulta mais do fato de se tratar de um símbolo celta, cuja forma além de simples é bonita.
Os celtas acreditavam que havia alma em tudo o que existe, um conceito conhecido como animismo.

domingo, 29 de março de 2020

A Dança da Trindade - Pericorese



Deus é dinâmico, é eternamente movimento. Deus é amor e ama antes de todas as coisas existirem, sempiterno amor, ele sempre ama e sempre amou. Seu amor é dirigido a si mesmo, eternamente. 
Vamos falar sobre isso. Os teólogos antigos usavam excelente ilustração da  dança: uma dança da comunhão perfeita. Os antigos a chamaram de pericorese. Isso fala  a respeito da Diviníssima Trindade em seu dinamismo, vitalidade e energia.
Sabemos que a doutrina trinitária  ensina que Deus é um só, mas que é constituído de três pessoas distintas. E existe uma relação  animada, viva, enérgica entre as três pessoas. Essa relação dinâmica é chamada de pericorese. Vamos ver do que se trata e que implicações isso tem para a Igreja hoje.
Pericorese é um termo grego, encontrado pela primeira vez na literatura patrística,nas obras de Gregório de Nazianzo. Ele foi um dos grandes defensores da doutrina da Trindade.
Vamos ao termo.
Pericorese ( περιχώρησις - Perichoresis ) é um termo grego, que 
descreve uma dança de roda, característica das crianças em momento de brincadeiras.
A) peri, que significa “movimento circular”
B) corea, que significa “dança”, (coreografia);
C) esis, que é um sufixo usado para formar palavras de ação ou processo.

Assim, pericorese era a palavra para o nome de uma dança tradicional em que um grupo de pessoas, geralmente crianças, dançava de maneira circular e de mãos dadas. Uma criança ficava no meio enquanto as outras, de mãos dadas ficavam girando ao seu redor em círculo. Em certo momento a criança que estava no meio vinha para a roda e alguma da roda vinha para o meio.
E isso traz uma  interessante percepção sobre a Trindade.
Outro pai da Igreja, chamado João Damasceno foi mais fundo que Basílio no estudo do termo. Damasceno, (676 d.C., Damasco, Síria) foi um teólogo do período antigo que imaginou a Trindade como uma dança, dança eterna e uniforme. Ele imaginou as três pessoas da Trindade dançando num círculo de mãos dadas.
Ele usa esta antiga dança como uma ilustração à mútua interpenetração e coabitação das três pessoas da Trindade. Ou seja,  as três pessoas da Trindade estão entrelaçadas em uma unidade "circular" em permanente movimento e integração. 
Sobre o conceito de Trindade , o   grande pai da Igreja, Atanásio cita:
A fé universal é esta: que adoremos o único Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, não confundindo as Pessoas, nem separando a substância, pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo, mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; iguais em  glória, eternidade e majestade.
Também outro pai da Igreja explica, Basílio :
O Pai, o Filho e o Espírito Santo igualmente santificam, vivificam, iluminam, confortam e efetuam tudo na mesma maneira. Assim, do mesmo modo, todas as outras operações são igualmente efetuadas nos santos, pelo Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Abraçando estas duas definições de Trindade damos um passo a mais. A pericorese seria então a comunhão entre as pessoas da Santíssima Trindade. Uma comunhão extremamente íntima, perfeita, sem nenhuma confusão ou interferência eterna.
Ela designa uma relação co-igual e co-eterna entre pessoas. Um Deus que é Pai , é Filho e é Espírito Santo. Eles se relacionam perfeita e amorosamente entre eles, de tal forma que o divino círculo parece uma coisa só, porém é formado de três pessoas, numa dança maravilhosa. Esta dança é marcada e compassada pela doce sinfonia do amor, sempre pelo amor que se fundamenta o vínculo da unidade divina.
Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.
João 17. 20-23
A doutrina da pericorese nos ensina algo muito importante para o cristianismo. Ela mostra que nosso Deus é Deus de relacionamento, de comunhão, de comunicação. Deus ama, ele é amor, e deseja compartilhar este amor com seu povo. É um amor ativo, cheio de vida e energia. Deus não se isola em si mesmo, ele cria e se relaciona com sua criação.
E Deus nos chama para uma vida assim.  Nada em Deus chama para o isolamento, para desigualdade, para orgulho, para vaidade ou demonstração de poder pessoal. Pelo contrário, somos chamados para a partilha, para o relacionamento e para uma fraternidade rica em comunhão. Somos chamados para uma vocação excelente, a vocação de amor. A comunhão entre a igreja é a principal característica deste amor e é o primeiro objetivo da nossa união com Deus. Precisamos estar unidos, com Deus e com nossos irmãos. Por meio de Jesus, todos podemos ter união com Deus e uns com os outros e , de certo modo, também participar desta unidade em amor. Deus é Trino e perfeito e nos chama para participar, em alguma medida, desta perfeição.
É como se Deus nos chamasse para fazer parte de um círculo que inclui Deus, os anjos e toda a igreja, para sermos uma unidade em santidade, alegria e glória para todo sempre.Uma dança dinâmica, perfeita e harmoniosa.